OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O CAMINHO DO DESAPEGO

"Um dos mais importantes ensinamentos budistas diz respeito à impermanência. O livro Luz no Caminho (Ed. Teosófica) também faz referência à 'senda verdadeira', que a pessoa pode trilhar quando deixa para trás o apego. Isso significa desprender-se de cada pensamento, sentimento e preferência, até que a mente esteja completamente livre.

Nós nos apegamos às coisas que conhecemos; no entanto, só se pode adentrar o campo do desconhecido quando o conhecido deixar de existir. O desconhecido é, evidentemente, aquilo sobre o que não fazemos qualquer ideia. Então, nós nos aferramos a algo ou a algumas pessoas na esperança de que sejam substitutos para isso. Podem ser membros da família ou amigos com quem temos um íntimo relacionamento. Numa certa parte do nosso cérebro, sabemos que é por isso que continua a existir o luto por pessoas que não mais existem. Esse apego é uma das mais sérias doenças enfrentadas pelos seres humanos, e encarnações se passam antes que o desapego seja sequer considerado uma virtude. 

Conta-se que Krishnamurti era muito apegado a seu irmão. A doutora Annie Besant era como uma mãe para ele, mas havia também seu irmão mais novo, que devia auxiliá-lo em sua obra. O irmão morreu na Califórinia, quando Krishnamurti nem mesmo estava presente. Durante várias noites ele teve que lutar não com o fato, mas consigo mesmo. Ele saiu do luto como uma pessoa nova, pois entendera toda a questão do apego.

O fato de que Krishnamurti parecia não precisar de companhia era um dos dados desconcertantes a seu respeito. Isso pode acontecer a qualquer um de nós; no entanto, não queremos abrir mão do apego. As pessoas acham difícil aceitar a verdade da impermanência. Nada dura nesse mundo. Quando chegamos a essa conclusão - de que tudo perece -, perguntamos: haverá um 'eu' que transcende essa regra?"

(Radha Burnier - O caminho do desapego - Revista Sophia, Ano 10, nº 40 - p. 21)


quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A SABEDORIA

"(2:61) A pessoa que, depois de subjugar os sentidos, uniu-se a Mim, permanece absorta no Eu infinito, que ela sabe ser o Supremamente Deleitável. Só o domínio dos sentidos propicia a solidez da verdadeira sabedoria.

Há duas exigências, acima de tudo, para se atingir a sabedoria. A primeira, desviar a mente não apenas dos objetos dos sentidos, mas dos próprios sentidos; a segunda, permanecer mergulhado na consciência de Deus como a mais inefável das metas a atingir.

Os yogues que apenas se preocupam com subjugar seu corpo e sentidos físicos, ou buscam a abstração da união divina sem a adequada disciplina física e mental, jamais conseguem se firmar num objetivo. Mas arrancar pela raiz a erva daninha da gratificação do ego, sem deixar resquícios, e absorver-se mansamente no Infinito - isso é essencial.

Muitos yogues buscam a gratificação egóica não apenas por meio dos prazeres dos sentidos, mas também do desenvolvimento de poderes espirituais. Outros, vale repetir, andam à cata da abstração da sabedoria intelectual para recompensar o ego. Mas os verdadeiros yogues querem apenas unir suas almas ao Divino Bem-amado."

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramhansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 125)


quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

LIMPE O SEU CORAÇÃO PARA TRANSFORMAR A SUA NATUREZA

"Egoísmo, orgulho e ambição têm de ser removidos do coração. Sathya (verdade ou veracidade), japa (repetição de um mantra),  dhyana (meditação) constituem o arar e o nivelar (do terreno). Prema (amor) é a água a ser lançada no campo para o arar e enriquecer. Nama (o Nome de Deus) é a semente. Bhakthi (devoção) é o broto. Kama (luxúria, sensualidade obsessiva) e krodha (rancor, ódio) são o gado voraz. A disciplina ascética (sadhana) é a proteção. Ananda (bem-aventurança) é a colheita.

A preguiça deve ser alijada da natureza humana independente da forma em que apareça. Este é o primeiro passo na transformação de manava (natureza humana) em Madhava (natureza divina), isto é, na transmutação do homem em Deus. 

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p.161)


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O QUE DEVEMOS ALCANÇAR

"No Sutra das Quatro Nobres Verdades, Buda diz: 'Deves alcançar as cessações'. Neste contexto, 'cessação' significa a cessação permanente do sofrimento e de sua raiz, a ignorância do agarramento ao em-si. Ao dizer isso, Buda nos aconselha a não ficarmos satisfeitos com uma libertação temporária de sofrimentos particulares, mas que tenhamos a intenção de realizar a meta última da vida humana: a suprema paz mental permanente (nirvana) e a felicidade pura e eterna da iluminação. 

Todo ser vivo, sem exceção, tem que experienciar o ciclo de sofrimentos da doença, envelhecimento, morte e renascimento, vida após vida, sem fim. Seguindo o exemplo de Buda, devemos desenvolver forte renúncia por esse ciclo sem fim. Quando vivia no palácio com sua família, Buda observou como o seu povo estava experienciando constantemente esses sofrimentos e tomou a forte determinação de obter a iluminação, a grande libertação, e conduzir cada ser vivo a esse estado. 

Buda não nos estimula a abandonar as atividades diárias que proporcionam as condições necessárias para viver ou aquelas que evitam a pobreza, problemas ambientais, doenças específicas e assim por diante. No entanto, não importa o quanto sejamos bem sucedidos nessas atividades, nunca alcançaremos a cessação permanente de problemas desse tipo. Teremos ainda que experienciá-los em nossas incontáveis vidas futuras e, mesmo nesta vida, embora trabalhemos arduamente para evitar esses problemas, os sofrimentos da pobreza, poluição ambiental e doença estão aumentando em todo o mundo. Além disso, por causa do poder da tecnologia moderna, muitos perigos graves estão a se desenvolver agora no mundo, perigos que nunca haviam sido experienciados anteriormente. Portanto, não devemos ficar satisfeitos com uma mera libertação temporária de problemas específicos, mas aplicar grande esforço em obter liberdade permanente enquanto temos essa oportunidade. 

Devemos nos lembrar da preciosidade da nossa vida humana. Por exemplo, os seres que agora estão sob uma forma animal tiveram esse tipo de renascimento animal devido as suas visões deludidas passadas, que negavam o valor da prática espiritual. Visto que a prática espiritual constitui-se no único fundamento para uma vida significativa, eles não têm agora chance alguma, sob uma forma animal, de se envolverem em uma prática espiritual. Visto que para eles é impossível ouvir, entender, contemplar e meditar nas instruções espirituais, seu renascimento presente como animal é, por si só, um obstáculo. Como foi mencionado anteriormente, somente os seres humanos estão livres de tais obstáculos e têm todas as condições necessárias para se empenharem nos caminhos espirituais – os únicos caminhos que conduzem à paz e felicidade duradouras. Essa combinação de liberdade e de posse de condições necessárias é a característica especial que faz com que a nossa vida humana seja tão preciosa. (...)"

(Geshe Kelsang Gyatso - Budismo Moderno, O Caminho de Compaixão e Sabedoria - Tharpa Brasil, São Paulo, 2016 - p. 63/65)
Fonte: https://cienciaespiritualidadeblog.wordpress.com



segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

SOFRER OU CRESCER (PARTE FINAL)

"As coisas mundanas não podem nos dar esse tesouro, mas a desilusão que elas provocam, sim. Isso ocorre na medida em que, 'des-iludidos', partimos ao encontro do ser, tornando o insucesso material uma alavanca para o espírito. Por meio da inteligência evolutiva, a insaciedade do ego acaba provocando sua destruição.

Enquanto não chegamos lá, porém, o sofrimento domina. Diante dele, rebelar-se ou crescer? Rebelar-se é não aceitar o sofrimento, negá-lo, buscar culpados ou substitutos, anestesiar-se com drogas e outros recursos de fuga. Quando a aceitação não acontece, a causa do sofrimento segue desconhecida, aumentando o problema. 

Nós fortalecemos tudo aquilo a que resistimos. Aceitar não significa, porém, desistir da mudança. Ao contrário, quando olhamos a situação com receptividade, a raiz do problema - de base mental, incluindo desejos insatisfeitos - vem à tona, sugerindo uma ação harmonizadora que brota das profundezas do ser e extinguindo o problema. A razão é simples: pusemos consciência nele, expandindo a vida espiritual - às vezes até descobrindo que nunca existiu um problema. A escuridão não suporta a luz.

Eckhart Tolle nos dá uma chave ao dizer que a escuridão é passiva e a luz é ativa. Quando iluminamos um quarto escuro não é a escuridão que sai, é a luz que entra. Por isso, Blavatsky diz que o mal não tem existência própria, é apenas ausência do bem.

Somente de cada um de nós depende manter ou eliminar a realidade do sofrimento, crescendo no processo. Sofrer ou não é escolha nossa. Frequentemente, porém, dando razão a Tolle, escolhemos sofrer - como nas situações de ódio mantidas por longo tempo -, gerando o paradoxo de arruinar a vida com nosso próprio veneno."

(Walter S. Barbosa - Sofrer ou crescer - Revista Sophia, Ano 13, nº 55 - p. 06/07)