
"A observação dos próprios pensamentos e reações é uma
forma de meditação em que se estuda a verdadeira natureza da mente e seu
estado, em que se olha nela profundamente para descobrir-lhe motivos e forças
ocultas, alcançando assim a autocompreensão integral. É disso que H. P. B. fala
em diferentes termos quando ela se refere ao estudo da natureza inferior à luz
da superior. A mente e as emoções precisam ser estudadas com objetividade
absoluta, e tratadas como se separadas da pessoa. Isto é muito mais difícil do
que retirar um pensamento de um livro ou selecionar alguma virtude e revolvê-la
na mente, embora isto também seja bom, especialmente como um começo ou uma base
para um esforço maior. É bom concentrar-se e contemplar a verdade mesmo como a
conhecemos, enquanto exploramos ou descobrimos as engrenagens da nossa própria
mente. O que é errado é compreendido simultaneamente ou em relação àquilo que é
certo, da mesma maneira como aquilo que é belo é percebido em relação àquilo
que não o é.
Durante o tempo em que se tenta meditar, surgem várias
ideias e elas também surgem em outras ocasiões. Mas o aluno terá que, por fim,
alcançar um estado mental que é desimpedido de todas as ideias e no qual a
mente descansa em sua própria natureza verdadeira. Como ela poderá ficar
desprovida de todas as ideias? Quando surge uma ideia, é possível colocá-la completamente
de lado? Cada pensamento que é violentamente lançado retorna após um período de
tempo. Existem inumeráveis ideias que surgem; colocá-las de lado é como lutar
contra um exército que consiste em um número de pessoas sem fim. A maneira de
lidar com esta situação é compreender determinadas verdades fundamentalmente no
próprio ser, na qual se percebe claramente aquilo que é certo e verdadeiramente
desejável. É dito que todas as ideias surgem de uma concatenação de causas; são
todas produtos de ideias precedentes, uma continuação delas. Podem assumir
diferentes roupagens em diferentes contextos, mas fundamentalmente possuem a
mesma natureza que os seus ancestrais. A maioria delas é realmente uma
repetição da própria memória. A mente precisa libertar-se deste automatismo de
memórias para que possa agir de modo inteligente com entendimento real."
(N. Sri Ram - Em Busca da Sabedoria – Ed. Teosófica, Brasília,
1991 - p. 140/141)
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