terça-feira, 25 de agosto de 2026

NO CAMINHO DAS VIRTUDES

 
"... A alegria apareceu e plantou belo jardim... 

Conta-se que o Senhor desejou levantar grande mansão destinada à moradia de certo orientador de encargos complexos, num mundo feliz, e para isso convocou algumas das Virtudes do seu Reino de Sabedoria e de Amor. 

Apareceu a Geometria e escolheu o local no topo de um monte. 

Veio o Cálculo e traçou os planos. 

Chegou o Gênio das Invenções e ergueu máquinas que garantissem a segurança e o conforto na construção. 

Surgiu o Equilíbrio e orientou a formação de pisos e vigas cornijas e paredes, tetos e mirantes. 

Destacou-se a Higiene, que cuidou de tudo o que se reportava ao asseio. 

Veio a Beleza e decorou o palácio com imagens e cores de elevada significação. 

A Cultura entrou em atividade e organizou valiosa biblioteca. 

A Prudência compareceu e guiou a fabricação de portas e chaves. 

A Alegria apareceu e plantou belo jardim. 

Terminada a obra, o Senhor veio examiná-la mas não pareceu satisfeito. 

Alguns dos aposentos eram sombrios e depois de entardecer a noite dominava todo o grande recinto. A vista disso, recomendou mais ampla cooperação dos Cimos e a Administração dos Céus enviou-lhe outra Virtude que não pedia qualquer consideração. 

Abordou a paisagem, evitando os espelhos da popularidade e da fama, penetrou no castelo, sem perder tempo, e, lá dentro, esculpiu a tomada elétrica, retirando-se logo após. 

Desde esse momento, a vivenda, tanto quanto quisessem os moradores, convertia-se em soberbo espetáculo de luz. 

Multidões de curiosos cercaram a mansão, no intuito de algo perguntar a quem realizara semelhante prodígio, no entanto, não mais encontraram a mensageira. 

Souberam apenas que essa Virtude trazia o nome de Humildade."

Extraído do livro "Amizade", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Meimei, p. 30.
Imagem por nisargaraj655 via Pinterest


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REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM
 
A VIRTUDE QUE ILUMINA AS DEMAIS

Na pequena narrativa de Meimei, várias virtudes e qualidades colaboram para a construção de uma grande mansão. Cada uma oferece algo importante: planejamento, equilíbrio, beleza, cultura, prudência e alegria.

Tudo parece perfeito. Entretanto, ainda falta luz.

É então que surge a Humildade. Sem procurar reconhecimento, ela realiza silenciosamente a sua tarefa e permite que toda a construção seja iluminada.

A imagem utilizada por Meimei nos convida a olhar para a nossa própria construção interior.

Podemos desenvolver conhecimentos, capacidades e muitas qualidades. Podemos realizar boas obras e oferecer muito aos outros. Mas de que maneira fazemos tudo isso?

A humildade talvez seja justamente a virtude que nos ajuda a colocar as demais no lugar certo.

Ser humilde não significa diminuir o próprio valor. Significa reconhecer nossas possibilidades sem necessidade de superioridade, compreender que ainda temos muito a aprender e realizar o bem sem transformar nossas ações em motivo de exaltação pessoal.

Há também um detalhe muito significativo na mensagem: depois de cumprir sua tarefa, a Humildade simplesmente se retira. Não permanece esperando aplausos.

Essa imagem nos leva a uma questão importante: quanto do bem que fazemos conseguiríamos realizar mesmo que ninguém viesse a saber?

Para refletir

  • Tenho necessidade de reconhecimento quando faço algo de bom?
  • Como reajo quando outra pessoa recebe os méritos por um trabalho do qual também participei?
  • Consigo reconhecer meus erros e aprender com outras pessoas?
  • Minhas qualidades têm servido principalmente a mim ou também ao próximo?
  • Em quais situações da minha vida preciso exercitar mais a humildade?

Talvez a grande lição de Meimei esteja justamente aí: não basta construir virtudes; é preciso iluminá-las pela humildade.

Quando ela está presente, nossas qualidades deixam de ser instrumentos de afirmação pessoal e passam a servir, com maior simplicidade, ao bem.

Um convite para a semana

Escolha uma boa ação que possa ser realizada discretamente, sem divulgação e sem expectativa de agradecimento.

Depois, observe o que essa experiência desperta em você.

Às vezes, é no bem realizado em silêncio que começamos a compreender a verdadeira grandeza da humildade.

Que a virtude seja a tua companhia constante. Paz e Luz. 





quinta-feira, 20 de agosto de 2026

BENFEITORES E BÊNÇÃOS

"Confiemos nos benfeitores e nas bênçãos que nos enriquecem os dias, sem no entanto, esquecer as próprias obrigações, no aproveitamento do amparo que nos ofertam. 

Pais abnegados da Terra, que nos propiciam o ensejo da reencarnação, por muito se façam servidores de nossa felicidade, não nos retiram da experiência de que somos carecedores. 

Mestres que nos arrancam às sombras da ignorância, por muito carinho nos dediquem, não nos isentam do aprendizado. 

Amigos que nos reconfortam na travessia dos momentos amargos, por mais nos estimem, não nos carregam a luta íntima. 

Cientistas que nos refazem as forças, nos dias de enfermidade, por mais que nos amem, não usam por nós a medicação que as circunstâncias nos aconselham. 

Instrutores da alma que nos orientam a viagem de elevação, por muito nos protejam, não nos suprimem o suor da subida moral. 

Ninguém vive sem a cooperação dos outros. 

Encontramo-nos, porém, à frente do amor de que todos somos necessitados, assim como o vegetal, diante do apoio da Natureza. A planta não se cria sem ar, não medra sem sol, não dispensa o auxílio da terra e não prospera sem água, mas deve produzir por si mesma. 

Assim também, no reino do espírito. 

Todos temos problemas reclamando o concurso alheio, mas ninguém pode forjar a solução do esforço para o bem que depende exclusivamente de nós."

Extraído do livro "Estude e Viva", de Francisco Cândido Xavier, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, item 4.
Imagem: Pinterest
 

terça-feira, 18 de agosto de 2026

AUXÍLIO MORAL

"Em muitas circunstâncias, afligimo-nos ante a impossibilidade de alterar o pensamento ou o rumo das pessoas queridas. 

Como auxiliar um filho que se distancia de nós, através de atitudes que consideramos indesejáveis, ou amparar um amigo que persiste em caminho que não nos parece o melhor? 

Às vezes, a criatura em causa é alguém que nos mereceu longo tempo de convivência e carinho; noutros lances da vida, é pessoa que se nos erigia na estrada em baliza de luz. 

Tudo o que era harmonia passa ao domínio das contradições aparentes, e tudo aquilo que se nos figurava tarefa triunfante, nos oferece a impressão de trabalho deteriorado voltando à estaca zero. 

Chegados a esse ponto de indagação e estranheza é imperioso compreender que todos os temos na edificação espiritual uns dos outros uma parte limitada de serviço e concurso, depois da qual vem a parte de Deus. 

O lavrador promove condições favoráveis ao plantio da lavoura, mas não consegue colocar o embrião na semente; protege a árvore, mas não lhe inventa a seiva. 

Assim ocorre igualmente conosco, nas linhas da existência. 

Cada qual de nós pode ofertar a outrem apenas a colaboração de que é capaz. 

Além dela, surge a zona íntima de cada um, na qual opera a Divina Providência, através de processos inesperados e, muitas vezes, francamente inacessíveis ao nosso estreito entendimento. 

Diante, pois, dos seres diletos que se nos complicam na estrada, o melhor e mais eficiente auxílio moral com que possamos socorrê-los, será sempre o ato de entender-lhes a bênção da oração silenciosa, para que aceitem, onde se colocaram, o Amparo Divino que nunca falha. 

Sejam quais sejam os problemas que nos forem apresentados pelos entes queridos, guardemos a própria serenidade e cumpramos para com eles a parte de serviço e devotamento que lhes devemos, depois da qual é forçoso nos decidamos a entregá-los à oficina da vida, em cujas engrenagens e experiências recolherão, tanto quanto nós todos temos recebido, a parte oculta do Amor e da assistência de Deus."

Extraído do livro "Alma e Coração", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 12.
Imagem: Pinterest